Carlito Carvalhosa, Área de Propriedade

Carlito Carvalhosa, Área de propriedade, 2020
Instalação site specific
195m de extensão x 8m de altura

Fotos: Camilla Jan

Durante uma viagem do artista pelo pantanal mato-grossense, as imensas áreas de inundação sem qualquer cerca que as delimitassem fez com que o artista notasse que estamos habituados a ver o campo definido pelas cercas que dividem pastos, propriedades e áreas em geral. A paisagem sem limites era algo novo, mas evidentemente é o estado original da paisagem. Estamos tão acostumados com as cercas que não as vemos mais como estruturas que reorganizam um espaço que era contínuo. Elas definem, dão forma aos campos.

Essa instalação de grande dimensão pensada para a FAMA Campo tenta tornar visível aquilo que está lá, mas que não vemos mais, passa despercebido, por ser tão comum aos olhos que parece natural. A ideia do artista é fazer uma cerca tão aumentada, que se torna visível mas também inútil, separando assim a imagem da função da cerca. Trata-se de uma cerca de mais de 8 metros de altura, que divide o visualmente espaço da FAMA campo, mas ao mesmo não divide na prática esse espaço, pois o “fio” mais baixo da cerca está a 2,5 m do chão. Portanto, pessoas e animais atravessam sem dificuldade essa cerca, tão imponente quanto incapaz. O objetivo é mudar a escala do campo e fazer ver aquilo que está lá mas que não vemos mais; e também questionar a relação entre a imagem e a função daquilo que nos cerca.

Carlito Carvalhosa

Carlito Carvalhosa (1961-2021) graduou-se em Arquitetura e Urbanismo na Universidade de São Paulo (FAU/USP) entre 1980 e 1984. Entre seus trabalhos mais conhecidas está Sum of Days (2011), instalação para o átrio do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA); Sala de espera (2013) no Museu de Arte Contemoprânea da USP; Já estava assim quando eu cheguei no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (2005); Roteiro de visitação (Palácio da Aclamação, Salvador, BA). Participou da 18ª Bienal de São Paulo, Brasil (1985); da Bienal de Havana, em Cuba (1986 e 2012); da Bienal do Mercosul, em Porto Alegre (2001 e 2009). Exposições individuais incluem: Apagador (Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, 2008), Soma dos dias (Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2010); Precaução de Contato (Galeria Nara Roesler, São Paulo, Brasil, 2014); Sala de espera (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, 2013); Sum of days (MoMA, Nova York, 2011); Sala de espera (Kukje Gallery, Seul, 2013); Possibility Matters (Sonnabend Gallery, Nova York, 2014); Carlito Carvalhosa (Sonnabend Gallery, Nova York, 2012); Faço tudo para não fazer nada (Galeria Nara Roesler, 2017, São Paulo); Rio (performance, MoMA, Nova York, 2014); I want to be like you (Nara Roesler Gallery, Nova York). Exposições coletivas incluem: Côte à Côte, artcontemprain du Brésil (CAPC MUSÉE, Bordeaux, França, 2001); Everything You Are, I Am Not: Arte Contemporânea Latino-Americana da Coleção Tiroche Deleon (Mana Contemporary, Jersey City, 2016); Troposphere (Beijng Minsheng Art Museum, 2017, Pequim), Past/Future/Present; Contemporary Brazilian Art from the Museum of Modern Art, São Paulo (Phoenix Art Museum, Arizona, 2017), Theory of the inevitable convergence (Nara Roesler Gallery, Nova York, 2017); Linha de sombra (Museu Brasileiro da Escultura, São Paulo, 2017); Já estava assim quando eu cheguei (Galeria Ron Mandos, 2020, Amsterdam).