EXPOSIÇÃO / EM CARTAZ
Tarsila: Onde Nascem as Imagens
Museu FAMA apresenta raro conjunto de desenhos de Tarsila do Amaral e revela o desenho como território de investigação, liberdade e criação da artista
O Museu FAMA apresenta “Tarsila: Onde Nascem as Imagens”, exposição que reúne cerca de 45 estudos realizados por Tarsila do Amaral (1886–1973) entre as décadas de 1910 e 1940.
Com curadoria de Marcos Amaro, fundador do Museu FAMA, a mostra parte de uma rara coleção formada por 204 trabalhos da artista e propõe um olhar sobre uma dimensão fundamental de sua produção: o desenho.
Um dos maiores nomes do modernismo e figura central da história da arte brasileira, Tarsila é apresentada não apenas como a consagrada pintora de algumas das imagens mais emblemáticas do país, mas como uma desenhista de extraordinária capacidade de observação, síntese e invenção.
A seleção das obras teve como premissa revelar a diversidade temática da produção da artista, a riqueza de suas investigações visuais e a integridade de cada trabalho.
“Os desenhos não aparecem apenas como estudos preparatórios para pinturas futuras, mas como trabalhos dotados de autonomia, capazes de expressar processos de observação, reflexão e invenção. Cada um deles possui significado próprio e contribui para a compreensão da extraordinária complexidade do universo criativo de Tarsila”, explica Marcos Amaro.
Do autorretrato à Cuca
Entre os destaques de “Tarsila: Onde Nascem as Imagens” está o autorretrato desenhado pela artista em 1923, além de um estudo relacionado a “A Cuca”, obra cuja pintura integra o acervo do Musée de Grenoble, na França.
Na obra, Tarsila transforma a personagem do imaginário popular brasileiro em uma figura colorida, lúdica e fantástica. Animais e elementos da vegetação ajudam a construir um universo que remete à exuberância da fauna e da flora brasileiras e às pesquisas que marcariam sua produção.
A diversidade presente no conjunto exposto evidencia também o caráter curioso e investigativo de Tarsila. Paisagens, figuras humanas, estudos arquitetônicos, cenas cotidianas, composições imaginárias e projetos ligados ao universo teatral convivem na exposição.
Entre os trabalhos mais reveladores estão desenhos de personagens concebidos para estudos de uma peça de teatro idealizada por Tarsila e Oswald de Andrade, mas que nunca chegou a ser realizada. As obras revelam sua habilidade para construir personagens, gestos e expressões por meio de uma síntese gráfica inventiva e demonstram o interesse da artista por linguagens que ultrapassavam os limites da pintura.
Uma coleção rara
Parte desse conjunto de desenhos foi apresentada no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, em 1969. Segundo Marcos Amaro, depois daquela exposição, o conjunto foi mantido por um colecionador de forma extremamente reservada e não chegou a integrar o catálogo raisonné da artista.
A nova exposição permite, portanto, não apenas o reencontro do público com trabalhos raramente vistos, mas uma aproximação com o próprio processo criativo de Tarsila. “O grande mérito da exposição está em demonstrar que o desenho não ocupa uma posição secundária na trajetória de Tarsila. É nele que se encontram as origens de sua capacidade inventiva. É por meio deles que a artista observa, registra, analisa, imagina e transforma”, afirma o curador.
“Antes das grandes pinturas que marcaram a história da arte brasileira, existiu o desenho, lugar de pesquisa, imaginação, descoberta e liberdade, onde efetivamente nasciam as imagens”, completa Marcos Amaro.
“Tarsila: Onde Nascem as Imagens” convida, assim, a observar o momento anterior à imagem consagrada: o traço, a experiência, a investigação e as ideias que ajudam a compreender a construção de um dos universos visuais mais importantes da arte brasileira.
Este projeto foi realizado com recursos do ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.
Serviço
Tarsila: Onde Nascem as Imagens
Abertura: 26 de setembro, às 12h
Local: Museu FAMA – Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9, Vila São Francisco, Itu (SP)
Visitação: de quintas a domingo, das 11h às 17h.