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Acervo em movimento: obras do Museu FAMA ampliam diálogos em exposições em São Paulo
Empréstimos de trabalhos de Louise Bourgeois e Nazareth Pacheco reforçam o intercâmbio do Museu FAMA com outras instituições culturais e ampliam o acesso do público à coleção
A arte não se limita às paredes de um museu. Ela circula, encontra novos espaços, estabelece relações com outras obras e ganha diferentes possibilidades de leitura. É com essa perspectiva que o Museu FAMA mantém uma política de intercâmbio com instituições culturais, promovendo o empréstimo de obras de seu acervo para exposições no Brasil e no exterior.
Recentemente, duas importantes obras da coleção do Museu FAMA seguiram para exposições em São Paulo: “Femme” (2004), de Louise Bourgeois, integrou a mostra “Surrealismos: arte para além da razão”, na Pinakotheke São Paulo, enquanto “Quarto” (2003), de Nazareth Pacheco, está em exibição no MuBE – Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia, na mostra “Jogos de Contaminação”.
Mais do que deslocamentos físicos, os empréstimos permitem que trabalhos pertencentes ao acervo sejam inseridos em novos recortes curatoriais, aproximando-os de diferentes artistas, períodos e linguagens e ampliando seu alcance junto ao público.
Louise Bourgeois e os caminhos do surrealismo
A obra “Femme” (2004), de Louise Bourgeois, participou da exposição “Surrealismos: arte para além da razão”, realizada pela Pinakotheke, em Higienópolis, São Paulo, com visitação encerrada em 16 de agosto.
Com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli, a mostra apresentou o surrealismo no plural, propondo uma leitura que ultrapassa seu contexto histórico original e investiga seus desdobramentos em diferentes geografias e temporalidades.
Nesse percurso, “Femme” colocou uma obra do acervo do Museu FAMA em diálogo com uma reflexão mais ampla sobre imaginação, inconsciente, subjetividade e as diversas formas pelas quais artistas desafiaram os limites da razão.
Louise Bourgeois é um dos grandes nomes da arte dos séculos 20 e 21. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu uma produção marcada por temas como memória, corpo, relações familiares, sexualidade, vulnerabilidade e identidade. A presença de uma obra da artista na coleção evidencia também a amplitude do acervo preservado pelo Museu FAMA e suas conexões com a produção internacional.
“Quarto”, de Nazareth Pacheco, no MuBE
Outro importante empréstimo está atualmente em cartaz. A instalação “Quarto” (2003), de Nazareth Pacheco, integra a exposição “Jogos de Contaminação”, no MuBE, com curadoria de Amanda Tavares.
Com dimensões de 240 x 350 x 420 centímetros, a obra é construída com cristais, miçangas, lâminas de barbear, aço inox e acrílico. A escolha dos materiais cria um jogo de aproximação e tensão: aquilo que inicialmente seduz pelo brilho e pela delicadeza também revela superfícies cortantes e potencialmente ameaçadoras.
Esse contraste entre atração e perigo, beleza e violência, desejo e interdição atravessa a produção de Nazareth Pacheco e encontra em “Quarto” uma de suas expressões de maior impacto espacial.
Na exposição do MuBE, a instalação passa a estabelecer novas relações com outras obras e com o próprio espaço arquitetônico do museu. É justamente essa possibilidade de ressignificação que torna o intercâmbio entre instituições um elemento importante da dinâmica dos acervos.
“Jogos de Contaminação” permanece aberta à visitação até 31 de outubro, com entrada gratuita.
Um acervo que circula
A preservação de uma coleção não significa mantê-la imóvel. Ao lado da conservação, da pesquisa e da documentação, a circulação das obras é uma forma de ampliar o acesso ao patrimônio artístico e estimular novas interpretações.
Para o Museu FAMA, os empréstimos representam ainda uma oportunidade de fortalecer relações com museus, galerias e instituições culturais, inserindo obras de sua coleção em projetos curatoriais que alcançam diferentes públicos.
Cada empréstimo envolve também um cuidadoso trabalho técnico, com procedimentos relacionados à conservação, documentação, transporte, segurança e condições expositivas, garantindo a integridade das obras durante todo o período em que permanecem fora de sua instituição de origem.
A participação em exposições como “Surrealismos: arte para além da razão” e “Jogos de Contaminação” reafirma, assim, uma atuação que entende o acervo como patrimônio vivo: preservado em Itu, mas aberto ao diálogo e à circulação.
Ao chegar a outros espaços, uma obra não deixa de pertencer à história do Museu FAMA. Ao contrário: ganha novos contextos, encontra novos públicos e amplia as possibilidades de leitura de uma coleção construída para ser preservada, pesquisada, compartilhada e vista.