Dilatação de objetos comuns

Iza Figueiredo

“Nada há de insignificante”, disse o filósofo francês Gaston Bachelard. Metal, tecido, vidro, papel, madeira; objetos triviais encontrados pelo mundo e, muitas vezes, descartados pelo homem são ressignificados pela artista Iza Figueiredo e dilatados nos seus sentidos, agora expostos na Fábrica de Artes Marcos Amaro.

A paulista nascida em Pindamonhangaba tira tais peças (melhor seriam coisas) do local em que são encontradas – seja na natureza, em sua forma primordial, ou quando já foram modificadas, transformadas, manufaturadas – e leva-as para o ateliê, um refúgio idílico em Itu, onde reencontra propósito para cada uma delas. Assim como o sergipano Arthur Bispo do Rosário, que resgatava elementos que cruzavam seu caminho, transmutando-os, Figueiredo recolhe esses objetos e coloca-os em uma nova organização, que, pautada pelo deslocamento, ganha configuração arqueológica.

Nessa espécie de arqueologia contemporânea, não procura, no entanto, modular seus achados. Eles permanecem arame, vidro, madeira e papel, com as curvas que adquiriram pelas mãos daqueles que os manipularam por último. Unidos, formam frases inteligíveis, que apenas os objetos livres e desconfigurados podem almejar.

A fim de criar outros caminhos, Figueiredo também utiliza-se de linhas e tramas, que borda continuamente, sem antes ter traçado sua rota. Dessa forma, cria imagens desconexas, mas interligadas entre si, como nuvens em um céu nebuloso, prontas para serem reinterpretadas a cada novo olhar. Para a artista, a linha funciona como um pincel que desenha livremente, mostrando-nos os diversos caminhos que podemos seguir. Afinal, em todas as coisas do mundo, por mais banais que sejam, há sempre um novo significado.


Ana Carolina Ralston
Ricardo Resende

Curadores

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