Fábrica de Arte Marcos Amaro

EXPOSIÇÃO / em cartaz

Instalações Interativas

PERMANENTE

Múltiplas Infâncias – Catraca, de 2022, deriva de lembranças do artista Rommulo Vieira, de como ele brincava com as catracas que encontrava em estações de trem, no seu deslocamento por Salvador quando era criança. Esta obra parece uma catraca de brincadeira, sobretudo ao ser pareada com Trepa-Trepa, de 2020, que é diretamente referida ao brinquedo homônimo comum em áreas criadas para o divertimento de crianças em praças e parques. Como par, estas obras instauram de modo explícito e enfático o caráter lúdico da arte no ambiente de FAMA. Contudo, não se confirma o caráter festivo sugerido pelo luminoso cromatismo e pela possibilidade de interagir com as obras. Além da condensação morfológica algo labiríntica das peças, as placas de vidro e acrílico travam a brincadeira. Elas não apenas aludem ao perigo na diversão, impedindo sua plena fluidez. Elas obrigam à autorreflexão, ao chamarem as pessoas a se verem e refletirem se vão se entregar a estes disfuncionais brinquedos, quase armadilhas, e como vão jogar com o artista e a arte.

Elaboradas a partir de peças de mobiliário urbano, estas obras nos fazem pensar a diversidade da infância em cidades radicalmente desiguais como as brasileiras. Nelas, o artista também reflete sobre a idealização do universo infantil, no qual jogos de dominação, perversidade e violência replicantes de relações pessoais adultas não são infrequentes. A crítica se estende ainda às idealizações e aos limites da participação do público na arte, bem como ao grande parque de diversões que se transformou o meio artístico. Com este par de obras, o artista instaura em FAMA a dúvida sobre o que é brincar na arte. Parafraseando um ponto cantando de Exu, podemos dizer que a arte não brinca e Rommulo não é de brincadeira.

Roberto Canduru

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